A Pistola de Ouro. Autor: Eduardo Andrade O velho acordou...já era tarde da tarde, de muitos dias sem fim. Sentou-se na cama e passou as mãos pelos cabelos brancos. Já tinham sidos loiros, antigamente. A artrose tinham praticamente acabado com os movimentos de seu joelho. Os olhos azuis olharam em volta do quarto todo escuro. Sentiu-se cego! (mais um problema da velhice?). Levantou-se puxando a perna esquerda e foi em direção de sua bengala. Ele tinha história para contar. Em 1940, tinha sido um General de Hitler. Quando o império de Hitler desmoronou, ele fugiu da Alemanha e foi para a Itália. Foi para a Sicília para evitar ser morto pelo Tribunal de Nuremberg. No tribunal de Nuremberg, todos os Generais foram executados na forca. Na corda longa da forca o pescoço era quebrado, na corda curta, morria-se por asfixia. Ele fugiu para a Itália e foi para a Sicília, lá chegando envolveu-se com a máfia Siciliana. A poderosa Cosanostra. Viveu 5 anos na Itália como um dos braços da máfia. Quando a justiça e a policia italiana fecharam o cerco na famiglia, ele escapou em um navio para o lugar mais longe do mundo: Brasil. Arrumou passaporte falsificado e embarcou em um navio como marinheiro-cozinheiro. Era um grande mestre nas artes culinárias. Chegando no Brasil, no porto de Santos, mudou-se imediatamente para São Paulo, a terra do futuro promissor, e trocou o seu nome de Joachin Pepper, para Joaquim Pimenta. Ele tinha começado no exército alemão como um mecânico. Sabia tudo da mecânica dos automóveis. E depois de galgar postos, foi entronado como um dos Generais de Hitler no Nazismo. Depois de viver intensamente tudo que o regime lhe fornecia, começou sua nova vida no Brasil. Primeiro começou a trabalhar como mecânico em uma oficina de terceiros, depois de algum tempo, quando seu nome começou a ser transmitido de boca em boca como o melhor mecânico da capital paulista, ele pegou dinheiro emprestado no banco e montou a Oficina do Alemão. Sua própria oficina. Em pouco tempo conquistou um infinidade de clientes, pois além de ser competente, era honesto e barateiro. Serviço de primeiríssima qualidade. Com a oficina ficou rico. Conheceu uma linda fazendeira paulista de Campinas e se casou. Teve duas filhas com ela...a primeira, Marcela, por causa do mar e do céu de Santos; a segunda Marlene. O nome para homenagear a linda atriz e cantora alemã, Marlene Dietrich, por quem sempre foi apaixonado. Sua esposa morreu atropelada na Avenida Paulista. Agora se arrastava por dentro de casa com uma bengala, pois a velhice estava engolindo ele da cabeça aos pés, feito uma tarântula negra faminta. Um buraco cósmico e negro.. Uma mutação completa lhe acometia. A juventude fugindo do seu corpo. Arrastava-se feito uma cobra de vidro pelo chão da vida. A tal da gota, cada dia piorava ainda mais. Reumatismo e outros problemas que acometiam os idosos estavam fazendo do seu corpo um parque de diversões. Sua casa, uma bela mansão nos Jardins, destacava-se no cenário, pois parecia um monumento do século 18 erguido com o dinheiro rico dos plantadores de café. E era! Tinha comprado de um politico que ergueu o monumento no tempo da politica café com leite, onde políticos de Minas Gerais e de São Paulo fizeram um acordo para se revezarem no poder do Brasil. E ficaram ricos. E morreram ricos! Sentiu dor ao pisar no chão e então ouviu um barulho na parte de baixo da casa. Suas mãos tremiam ao segurar a bengala, não por medo, mas talvez pela doença de Parkinson. Tremer ele nunca tinha tremido. Na guerra quem treme está morto. “ O tremor só vale para os bambus nas tempestades.” - pensou. Chegou próximo da escada e olhando para baixo, e perguntou: - Quem está ai? Pensou que tinha deixado a porta da casa aberta e os cachorros haviam entrado. Olhou para baixo de cima da escada, e viu um vulto passar. “ E os cachorros?” - Pensou, de novo. Os cachorros não latiam...tinha uma fêmea e um macho pastores alemães, capa preta, comprados filhotinhos no canil da Policia Militar de São Paulo. Porém, não eram treinados. Os cachorros estavam dormindo depois de comerem carne com recheio de sedativos... o crime era premeditado. Começou a descer as escadas lentamente com a bengala lhe segurando o pé esquerdo. Ao chegar embaixo, quase no fim da escada, não viu nada. Mas a porta estava aberta. Foi em direção da porta para fechá-la. Então. Um menino saiu de trás da cortina da janela com uma arma na mão. Ele olhou. Outro apareceu na porta da cozinha com uma arma na mão. E debaixo da escada surgiu outro com outra arma na mão. Os 3 se aproximaram dele, ele ficou paralisado! - Velho – o moleque disse. - Estamos aqui para roubar, sabemos que você tem muita grana. O outro moleque menor que 16 anos falou: - Fique tranquilo, agente não quer matar...apenas queremos tudo que você tiver de valor... O terceiro menino, apontava a arma para o velho, direto para a cabeça. Ele recuou...mas não dava para subir as escadas e desaparecer da vista dos ladrões... - O que vocês querem? – disse meio ofegante. - Velho, queremos dinheiro. O menino que disse assim tinha o rosto furado por marcas provocadas pela varíola. O velho, se apoiando foi da porta para o centro da sala onde havia uma mesa de mogno, arrastando-se com suas bengalas apoiadas no sovaco. Puxou uma cadeira de madeira e sentou-se. - Meninos, eu não tenho nada não...a única coisa que tenho é esta casa...- disse com firmeza. Então o bandido foi em direção dele...usava um boné e tirou o boné, mostrando os cabelos pintados de loiro...cabelos crespos pintados de loiro, com a cabeça raspada nas laterais, chegou perto dele e aplicou-lhe um soco no estomago. Ele recurvou-se... O outro menino, disse. - Lorin, não precisa bater nele não cara...só estamos aqui para roubar...sem violência. O Lorin voltou...tinha uma maldade extrema dentro do olhar e arrastava uma perna, também, por uma sequela provocada por um tiro que tinha levado da policia. - Cara, este velho precisa apanhar, senão ele não mostra a fortuna que tem. – Disse o Lorim. O outro menor, fazia uma carreira de pó encima da mesa.. A casa era imensa, uma sala ampla com móveis de madeira e armários cheios de louças, talvez porcelanas chinesas; do lado, tinha uma porta que dava para o quintal e no fundo uma porta que ia para a cozinha. O velho sentado na cadeira, viu os menores irem em direção da mesa. - Velho, tem uma caneta aqui? – Gritou o Lorin.. - Sim, tem caneta naquela gaveta ali – disse o velho alemão, apontando para um gaveta da cômoda. O Lorin, foi lá, puxou a gaveta e arrebentou com tudo...fotografias em preto e branco, voaram pelo ar e ficaram espalhadas pelo chão. O menino pegou a caneta, tirou o refil e foi em direção a mesa...chegando perto aspirou a cocaína. Passou para o segundo menino, que depois passou para o terceiro. O 3 estavam cocainados.... Os seus olhos brilhavam na sala mais do que a luz das lâmpadas de led. Então o Lorin foi em direção do velho e gritou? - Qual é seu nome, velho asqueroso. O velho respondeu: - Joaquim (na Alemanha era Joachim). E o Lorin disse: - Velho, para morar em uma casa bacana desta, só se tiver muita grana..onde você esconde sua grana, filho da puta? - Tenho não... Então a porta de entrada da sala se abriu. Todos levaram um susto e correram para suas armas. Uma menina linda entrou na sala...quando viu os bandidos, tentou voltar para fora..porém, um dos criminosos, correu atrás dela e a segurou. Trazendo para dentro de casa de novo. O Lorin, foi em direção dela... - Que gata gostosa! – ele disse. - Vem cá, vem ficar com a gente, gata! Apaixonei...e fez um coração com as duas mão para ela. A menina assombrada passou as mãos pelo seus cabelo loiros. Ela estava usando uma saia azul e tênis, com uma camiseta branca, e foi para perto do seu avô. O nariz redondo e sobrancelhas expeçam e claras, cravadas em um rosto redondo angelical, culminavam em lábios vermelhos de maçã. Ela era filha da segunda filha do alemão, a Marlene que foi batizada em homenagem a cantora e atriz alemã... O Lorin, andou pela sala e falou: - Belo exemplar de mulher...sua neta, velho? - Sim, sim , sim – disse o velho alemão. (não tinha mais nada o que dizer). - Bem...fiquei com tesão nesta menina, seu velho escroto. Vou comer ela em sua frente...ela é sua netinha? Seu filho da puta. ...é? O velho Joaquim, olhou para o monstro e disse: - Não faça nada com ela, por favor ela é minha neta...eu posso dar muito ouro para vocês...eu tenho. - É? Agora você tem....então me dê tudo que tiver seu velho fodido. Cadê? – disse o Lorin. O velho Joaquim levantou da cadeira e apoiado na bengala, deixou sua neta sentada na cadeira, no lugar dele. Foi em direção de um quarto. Abriu a porta e entrou...os bandidos olhavam atentamente. Entrou e desceu as escadas do cômodo, entrando no subsolo onde ele tinha sua adega. Apertou o fundo falso em uma laje na parede e se abriu um cofre. De dentro do cofre ele pegou uma arma, uma Pistola Walther dourada. Uma pistola que ele tinha recebido das próprias mãos de Hitler pela lealdade e pela conquista da França. Ele e mais onze generais haviam recebido o presente que simbolizava a expansão do terceiro reich. Ele pegou a pistola e voltou para a sala; ao mostrar a arma para os bandidos, todos ficaram com os olhos brilhando de cobiça. O Lorin, falou: - Velho, que coisa mais linda do mundo...isto é tudo feito de ouro...ouro puro... O outro menino saiu de trás da mesa onde tinha colocado as carreiras de cocaína e foi em direção ao velho; chegando perto, pegou a arma da mão dele e disse: - Velho, pelo peso desta arma ela é feita de ouro puro. Isto é ouro munciço. (leia-se maciço). O outro menor infrator chegou próximo e ficou observando a peça de arte que serviu para matar os judeus. Não bem aquele exemplar, porém, outros. O velho Joachim, sempre foi um General que preferia matar a torturar. Achava a tortura uma coisa cruel e hedionda e por isto executava os prisioneiros de guerra, sem tocar-lhes um dedo sequer. Tiro na cabeça. E ponto final. Então o Lorin gritou: - Velho, se você tem uma coisa tão linda quanto esta, deve ter mais...quero tudo que você tiver, seu otário. Dizendo assim ele foi em direção do velho alemão e pegou a pistola de ouro. Tomou do velho a pistola e colocou na mão. - Caralho, - ele disse. - Pelo peso isto é ouro total..absoluto! O Carlão Zarolho da boca de fumo vai ficar doido com uma coisa destas...- E sorriu, um sorriso demente. - Mas velho, eu vou ter que comer sua neta....achei ela demais....uma loira linda de olhos azuis...nos no parecemos...kkk E foi em direção a menina que estava trêmula e fria, espantada, sentada na cadeira. O Lorin, virou-se para trás e chamou um dos seus comparsas, entregando a arma para ele...O cara olhou a arma cheirou e segurou firme em sua mão. O Lorin chegou perto da neta do alemão e empurrou ela para fora da cadeira...a ação foi violenta e ela caiu no chão. Ele começou a tentar tirar a calcinha dela, ela esperneava... e foi empurrada para o canto da parede; minutos de completa violência contra a garota...então ele conseguiu deixar ela quase nua. O velho alemão vendo aquela cena, correu em direção de sua neta e com a bengala, acertou as costas do vagabundo. Ele olhou para trás e desferiu um golpe perfeito na cara do velho. O velho caiu lançando sangue pelo nariz e se arrastando novamente, pegou sua bengala de ferro e foi em direção do marginal. Ao levantar a mão para acertar a cabeça do Lorin, um tiro foi disparado...a bala saiu ligeira e sutil, e atingiu a nuca do velho alemão. O cara que tinha ficado com a pistola, tinha acabado de disparar um tiro contra o velho alemão. A bala atingiu sua nuca por trás e ele caiu coberto de sangue com os olhos azuis abertos com a última imagem de sua vida em seu cérebro. As costas do bandido e o terror nos olhos de sua neta. Então o clima começou a ficar pesado...o cara que estava com a arma na mão começou a sentir que ela fazia com que o braço dele se movimentasse sozinho, como se fosse uma pistola teleguiada. Ele tentou largar arma, porém, ela estava colada em sua mão. Colada e quente em sua mão. Quente, quase fervendo, feito um inferno. O Lorin, estava tentando estuprar a menina, ele tinha levantado sua saia, e já estava com a calcinha dela em sua mão, então, ele olhou para trás.. mas quando olhou para trás, viu o cano da arma voltada diretamente para ele...de longe ele gritou... - Que é isto cara? - Ele gritou assustado; e um tiro saiu... O primeiro atingiu o seu olho esquerdo. Outro tiro saiu e atingiu o seu olho direito e o terceiro tiro derradeiro encaixou no meio de sua testa. Ele caiu morto tremendo feito uma árvore verde, tingida de vermelho, atingida pelos ventos. Ventos tropicais. O Menino que estava com a arma, tentou se livrar dela, porém, ela estava colada em sua mão...e ele viu a arma apontar para o terceiro individuo...o cara vendo a arma mirar para ele Urrou em pânico: - Velho? O que é isto...vai me matar? O menor com a pistola de ouro na mão, falou atordoado, dizendo: - Não é culpa minha...a arma tomou conta de meu braço. Então o pivete ao ver a pistola apontada para ele, tentou sair correndo da sala, ao abrir a porta da cozinha, houve apenas um disparo que acertou suas costas no lado esquerdo, encima do coração, por trás. Ele caiu segurando na maçaneta da porta arrastando-se para o chão feito uma lesma espremida por um chute na parede. E o chão ficou molhado do último vermelho que ele viu na vida. A arma de ouro estava viva. Arma Nazista de Hitler. O garoto que estava segurando a arma que se movimentava sozinha, então sentiu uma força descomunal, movimentar o braço dele....ele sentia que a arma estava virando para sua direção...ele segurou o braço, mas a arma estava quente, forte e firme virando para sua cabeça...ele segurou o braço com sua outra mão, então ouviu o seu braço quebrar e os ossos do seu braço, num estouro, se romperam pela força da arma, ficando brancos e expostos no ar; os ossos lascados.. fibras de músculos dependurados do braço, iam até o chão Sangue voava por todas as direções. Coisas vermelhas e brancas se espalharam nos tacos de madeira da casa. E ele viu o cano da arma mirada para a sua cabeça, e seu braço completamente quebrado, quase amputado. Aliás, amputado. A arma de ouro, estava prestes a deferir o golpe final... ”Eu Fuhrer”, ele ouviu a arma dizer. O cano com o buraco negro ainda saia fumaça. E o tiro saiu...os tiros foram cuspidos para fora, um por um, o resto das balas foram descarregadas na cabeça do menor. Ele caiu no chão e a arma se soltou de sua mão. Uma pistola de ouro suja de sangue brilhava no cento da sala, iluminada por um raio do sol da tarde que tinha se infiltrado por um buraco no teto da casa. Então a porta que dava para a adega, se abriu, rangendo as fechaduras e fechou-se sozinha, novamente. A neta do velho alemão chorava semidespida no canto da sala. Então a porta da adega voltou a abrir-se lentamente. De dentro, um vulto, vestido de coturnos e um sobretudo do exército alemão, com a insígnia do nazismo, veio flutuando pelo ar, dentro de uma nuvem com um formato holográfico de ser humano. A garota encostada na parede com os olhos hirtos de pavor e cheios de lágrimas prendeu a respiração. A nuvem foi em direção da arma caída no centro da sala..chegando perto, a pistola de ouro voou para o bolso do casaco de guerra do fantasma. E ele saiu flutuando pelo ambiente em direção da porta. Ao abrir a porta, a luz da rua iluminou, um pouco, o ambiente. O vulto fantasmagórico olhou para ela e sorriu. E a garota viu os olhos azuis e o sorriso do seu velho avô alemão, sorrindo para ela. Ela não conseguia sorrir. Só lágrimas em abundância molhavam feito um córrego cristalino, sua camiseta branca e sua saia azul da cor do céu. Joaquim Pimenta

publicado por universoinverso às 02:58 | link do post
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